É um desperdício tão grande
Quando olhamos para os passos dados no chão
Sendo apagados pela poeira
Tomados pela sensação de estar sem raiz
Impedindo a nascente de seguir seu rumo
Represando em pedras
Amor sutil que nascia
E crescia na timidez
Mas ainda ao longe
Se via sem amparo
Sem manto e sem prumo.
É quase intolerável situar nossos olhares
Em caixas vazias
Em coleções frias de casos banais
Negar braços dados
Lábios colados
E noites
Poucas, mas incríveis noites
De abraço apertado
Carinhos trocados
A ti agarrado olhando pro mar
Ignoraria o tempo
Se ainda houvesse
Regressaria àqueles dias
Se pudesse
E mudaria meu discurso
Sugeriria dias e noites completos de amor
E que fosse sincero, sem medo
Em laço firme
Voltaria a te envolver em meus braços
Te entregaria estrelas se pudesse
Mas te entrego meu mundo
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