quarta-feira, 6 de abril de 2016

Um tiro certo no peito

Estrelas que eu avistei sem alcançar
E pasmei no brilho distante e perfeito
Incrível e imprevisível como a complexidade de amar
Tão platônico e louco foram tais sentimentos adversos
Dando as mãos pelas minhas costas
Em segredo
Estreitando os laços, acalmando os pulsos
Reduzindo a velocidade dos passos
Para esticar o tempo até onde pudessem enxergar
A aproveitar da minha nobreza
Da inocência que eu permitia me envolver
Um tiro certo no peito de quem nunca recusou um amor pra viver
Um acerto tão errado , tão desarranjado, que de lindo e encantador
Passou a quase impossível de vivenciar
Difícil de enxergar uma fuga
E tão impossível quanto vivenciar seria a proeza de esquecer
E mais impossível continuar...

terça-feira, 29 de março de 2016

Xadrez de Rei

Crio a ação que move meu peito
Mas não sigo direito as ordens do meu coração
A confusão permanece na mente
E ainda me vejo em correntes
Solitário
Um solitário sem solidão
Como um xadrez só de reis, sem pião
Uma casa por rodada
Em cheque
As torres por hora também foram tiradas
Sou eu assim
No meu tabuleiro
Em meio ao silêncio
Sem proteção
Vivo clandestinamente
Foragido, intragável, inconsequente
Ao menos nos meus devaneios eu me permito ser
Não me pertenço na vida
Pertenço a um mundo que não me permiti viver

segunda-feira, 21 de março de 2016

Um dia frio. Um bom lugar pra ler um livro

Um dia Frio como diz Djavan
Andamos numa corda fina, frágil, feito lã
E o que ganhamos deles ao defender esses clãs?
Nada
Nada vale o embate
Mão Destra ou Mão Sinistra?
Eles são como juvenis embriagados
Parlamentares fazem duelos de poder
Como arranca o "menino" Thor Batista
Pela pista em seus carros
O ar é rarefeito
Mas esse efeito perdura desde o império
Herança madrasta de Portugal
Somos filhos da corrupção
Pedro de Alcântara, Dom João, Cabral, Clero
O que fazer se nos equilibramos sob um covil de cobras
Superfaturam a merenda, fraudes no Ministério da Fazenda
Revistas que pra tucano remenda
Tá ruim pra nós
E mesmo assim a inflação aumenta
E no final do dia
Frustra a apatia
Pois as mãos se interlaçam no planalto
Enquanto "caia
A tarde feito um viaduto"
Sendo bêbado ou equilibrista
Sejam 9 dedos ou dedos de 45 assaltos
O lugar é bom pra ler um livro
E o momento é de Luto

sábado, 12 de março de 2016

Quem sabe eu... choraria?

E quem sabe eu
Que tenho poucas chances
Que tenho poucas escolhas
Que passo desapercebido
Faço um dia uma melodia
Invento uma poesia
E contrario a sociedade
Quem sabe eu
Que tenho quase nada
Rabisco um papel de carta
E vejo frases estampadas em vagões do metrô
Quem sabe eu em minha desilusão
Que não percebo números, nem equações
Ouço ao longe um cantarolar
Uma voz suave a entoar meus tão vulneráveis refrões
E a plenos pulmões gritaria
Quem sabe eu choraria
Ao alcançar multidões

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Pudera eu

Me enche os olhos nessa primavera
Me jura que é constante esse amor
Persevera
Que jamais negarei teu encanto
Serei na noite teu manto
Farei alegria em teu pranto
E o sopro em teu barco a vela
Te amarei nas fugas, nas rugas
Nas lavandas e aloe veras
Pudera eu te abraçar no infinito
E exclamar ao ouvido essas palavras sinceras