terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Inerte e Sem coração

Hoje, somente hoje
Eu preciso me esquivar dessas cobranças
E reportar-me a minha mente os valores

Quem sabe um dia
Enxergue com cobiça a vida que me foi tirada
Assim como escalas de cinza desejariam as cores

Acaricia a minha pele a distância
E queira eu a alegria da prosperidade
Mas se na verdade
A ela mesma não alcança
Não me resta sentido a vê-la passar
E nem me resta amparo
Nem viver esperança

Se me dispõe seus discursos
Na utopia moderna
A qual dela
Nada se aplica
E desse rio do absurdo
Na corrente, um decurso
Da piracema iníqua dessa epopeia

E se nesse vergê nenhuma linha sai reta
Questiono agora ao meu coração
Somente a razão de redigir essas linhas?
Se da minha vida impugna os meu sonhos?
E o porquê não deslumbro desse imenso mundo?
Se dizem que a mesma, é breve e tão bela?

Quem sabe apatia tem rendido meu braços?
Meus prantos, de tantos
Tornaram-se escassos
Meus laços fajutos
Nos passos se foram
E foram nos lutos
Joelhos cansados

Avessa a essa condição
A vida doou me a arte
Em contraposição
Somente o que resta da insana maldade
Que é viver inerte
E sem coração...





quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Banaliza

Sai da sua zona de conforto
E ouve um pouco de realidade
Sem a merda do sensacionalismo que alimenta a midia
Essa arte subversiva de criar o caos
A partir dos cacos de quem despeja uma lagrima
Dessa hipocrisia deliberada nas telas
Que ao invés de valorizar
Banaliza

Por que se esquivar tanto da responsabilidade de existir?
A revolta exagerada é tão falsa quanto o luto na internet
Que não visa a condolência, nem a mudança
É mais uma busca insana
Por um clique de um botão "Curtir"

Se isso te satisfaz
Reconheça a insignificância arraigada em tudo isso
E fale de Santa Maria, Belo Monte e até de Catrina
Que ninguém lembra mais
Seja um estagiário na multinacional do cinismo
E se não souber o que dizer
Pense como o Malafaia diria

Eu não sou exemplo de nada
Não faço revolução, não sou anarquista, comunista
E nem entusiasta de nada
Só não queira persuadir minha mente
Com argumentação decorada
Nunca vi ativista sentado em cadeiras
E nem escondido entre portas fechadas




quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Deixar ser...

Abri a janela esta manhã
E me deparei surpreso
Com um louco sentimento
Sentimento aventureiro

Ainda fresca a lembrança de um sonho
De viagens em mares, pessoas, lugares
E um gesto meigo

A fusão do tempo, espaço e fantasia
Era a loucura a manifestar-se ao olhar de morfeu
Idealizei ao extremo cada segundo de insanidade
E na realidade pude ver a mágia

Bendita melatonina que me guiou ao sono
E satisfez meu desejo
Me rendeu num beijo
Ao menos em sonho

Logo me tomou de inteiro
E passei a deixar que ela visse
Que se o sonho me vem
É porque dela sei
E de mim o que sinto
Sei que é verdadeiro

E se posso acordar e me ver nesse sonho
O que ela propõe? Se não o viver
Por que não deixar
Esse fogo arraigado
Se alastrar como pasto
Por que não?
Deixar ser...