quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Terceira pessoa de amor nenhum

E a gente perde tempo, perde paciência e perde o sono
Fica largado, se sente frustrado em meio ao abandono
Espera amparo, espera estima como cão sem dono
E se perde em apego e culpa o peito pelo passo torto

Se desfaz da noite
Do copo e da luz da lua
Saldando o açoite que no véu vermelho de amor se camufla

E cede mais do que a mente permiti ser
Mas o coração pulsa, aperta e obriga a ceder
E assim se envolveu em uma causa perdida
Ganhou "uma dose de inferno"
Onde só buscava um gole de vida

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Onde deixei minhas malas?

Nesses anos que me eximi de viver
Deixei cair em contradição a alma de artista que defendi
Sem sentimento
O que cantarei pelas ruas?
Sem amor algum
O que mais me resta sentir?

Trancafiado nas grades da vida adulta
O espelho passou a refletir um eu que não me reflete em nada
Apenas resumi a minha a vida a um estado de dormência
No qual os sabores não me vem a boca
E retomo aquela velha insatisfação inata

Preferível seria se prontas estivessem minhas malas
E num súbito surto de coerência eu fugisse no mundo
Mas que nelas não levasse retratos, nem lembranças, e tão pouco papeis de carta
Que eu assumisse outro nome, quem sabe?!
E virasse outro "Silva" a modo de viver desapercebido
Que eu tivesse escolhas suficientes para jamais amargar nas madrugadas
Vivendo a angustia remanescente de ser o homem arrependido