quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Concordamos em não concordar em nada

Agradeço todos os dias pela graça de contemplar a graça dela
E tela de graça e ao alcance,
a desfrutar nosso romance
assim como um pintor a sua tela

Faço dos nossos dias desafios
As vezes provoco encrenca, outras vezes arrepios
Mas não aguento sua ausência, e apesar da divergência
Vivemos em nossos avessos sem desfiar nossos fios

Me irrito quando ela ignora, mas em instantes ela me olha
E concordamos com nossa desconcordância
Já que somos felizes demais sendo o cara do "daqui a pouco" e a menina do "agora"

E a arte de desvendar absurdos é nossa
Tanto quanto a de se amar sem escalas
A de não precisar das falas para uma breve compreensão
Você arqueia as sobrancelhas enquanto eu digo "não foi nada"
E é assim que a gente se entende
Se entende muito bem sem dizer uma palavra
E assim vamos vivendo nossos sonhos
Concordando todos os dias que não concordamos em nada

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

É preciso nadar na vida

Eu posso ter perdido muitos anos no mesmo lugar
Eu sinto que me privei de explorar muitos horizontes
Vivi parte de tudo o que eu desejei, mas de tudo o que quis faltou muito
Faltaram montes

E falaram muito de mim, mas por nada me abalei
Alguns rezaram pra que eu declarasse meu fim
Mas aos que me abrigaram, foram os mesmo pelo qual eu lutei

Relutei em questões que tardiamente a cabeça abaixei
Pois minhas certezas eram imaturas
Considerando as posturas que tive
Durante os discursos em que eu tanto as exclamei

A vida é professora
Ensina, mas na medida que ensina magoa
Mas é justa,  e profunda como o mar
Porém, na vida pra quem não sabe nadar
Não existe canoa

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

E eu não dormia, porque...

Ela jamais irá entender o porquê estar ao seu lado era tão confortante
Talvez ela não sentisse essa sintonia estreita entre nós
Mas eu me via aquecido, com o peito preenchido a cada suspiro

Meus olhos brilhavam por simples imaginação
Era como se estivesse prestes a explodir de alegria, sem motivo aparente
Vivi sentimento tão latente que era difícil controlar
E mesmo que fosse possível,
Eu jamais buscaria
Pois antes de sentir a maciez dos lábios dela
Eu já havia sentido
Todo o tipo de amarguras
Menos a sensação de estar vivo

Com o pensamento longe eu me via a pensar:
Aguentaria a queda se caso eu caísse?
Veria a distancia em seu olhar com feridas em mim
Conferidas a mim
Demoraria dias e noites para voltar a dormir
Mas por mais sofrido que pudesse ser o desapegar
Valeria a pena vive-la
Valeria a pena senti-la
Valeria a pena assisti-la chegar
Era tudo que eu queria, mesmo em face do provável fim

Seu perfume ficaria aqui
Em cada lençol
Suas lembranças rodariam na minha cabeça
Por cada estação de metrô
O melhor de mim já não seria mais o bastante
E eu inevitavelmente a deixei sair
A porta nem se quer bateu a fim de me situar
Ela apenas se fechou lentamente
E naquelas noites de insonia eu não dormia porque...
Eu a esperava voltar

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

E sentia... muito

No dia em que você se foi
Eu deixei de amar
Eu deixei de apreciar os aromas ao me autoflagelar em lembranças
E assim me abriguei num quarto escuro e frio
Onde não houvesse um vespeiro à me ameaçar
Nenhuma adaga a me apunhalar ao refletir em seu gume, esperança

Eu te amei
Te amei muito
Te amei tanto
Que até doía
E sentia... muito

Uma sensação confusa, de solidão
Um pranto infindável que eu despejava em cada canto
Cada lamúria que me entranhava o peito
Em cada sorriso que eu calei em vão

E não só de escuridão se faziam meus dias
Eles compunham períodos extensos de luz ofuscante
Assim como também foram as noites sombrias
As garrafas vazias
As paisagens acinzentadas
Como as calçadas frias
Em que passei madrugadas
Entre riscos e frases que eu escrevia

Hoje eu não entendo ao certo o por quê tanto sofria
Mas uma coisa eu sei
Eu te amei
Amei muito
Amei tanto
Que até doía
E sentia... muito
Pois você não sentia

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Longe de casa. Qual casa?

Tanta coisa fora de lugar
Enquanto eu me mantive distante
Os móveis já não são mais os mesmos
O quarto não tem o mesmo cheiro
Nada mais me pertence
Já que não há mais fotos na minha estante

Sinto que algo se perdeu em um momento
Em algum momento
Mas os intervalos são grandes demais
E tudo o que eu poderia pontuar dessa história
Ficou superficial de tal forma que eu já nem lembro mais

E olhando em cada semblante dos que habitam esse quadrado
Me vem a vontade de chorar sem saber
Se a lágrima vai escorrer
E se a mesma cair
Pelo que?

Se a despedida se fez de forma tão pouco aprazível
Talvez fosse o que melhor caberia naquele instante
Pra que mantivesse um fio ligando dois pontos
Mesmo que como nylon, seja pouco visível

Pode ser que nada tenha mudado o lugar
Que somente eu não esteja lá
E o que me faz lembrar
É o que me deixa sensível








terça-feira, 2 de setembro de 2014

Eu definitivamente preciso...

Eu só preciso de um dia
Um dia pra sentar e escrever
Um dia para nada pensar
Quem sabe um dia pra desabafar
Ou um dia a mais pra esquecer

Eu preciso estar só, um minuto
Só, mas não solitário
A necessidade é de me desprender do mundo
E que tudo que se envolveu em minha vida fique a espera
Trancado  no armário
E finalmente eu respire o ar

Eu preciso de uma dose de desapego
Uma gota a mais de sossego que venha a me acalmar
Não há demasia nesse pedido
Quero um instante comigo
Imprescindível como água
Mas em partilhas pequenas para não me afogar

Eu só quero um dia
Eu só preciso de um dia
Eu definitivamente preciso...

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Relógio de areia

E quando você menos percebe, todas as certezas são como um eixo desalinhado
O mundo em uma ampulheta,
E como ela
A cada momento em seu tempo vencido
Uma virada de cabeça pra baixo

E quem diria que na breve lembrança que me rodeava
Passariam tantos momentos em tão poucos dias?
Que mudaria o roteiro e até minha casa
A me passar da amargura até a liturgia?

Como saberia que o acaso agiria com tamanha destreza
Nesse meu caso raro
A me soprar poemas
A me dar destino nessa doença desvairada
Que não corta, não fere, nem mata

Mas que na alegria transborda
Por saber que é amor
E na solidão me abraça
Por saber dessa dor

terça-feira, 24 de junho de 2014

Eu deixei que se fossem, mas não deixo por nada

A cada amor uma nova confusão
A cada história mais um assunto a não resolver
Mais uma linha desenlaçando o novelo

Sou alguém que não deixa nada se desfazer
Por motivos simples de se sentir
Difíceis de se dizer
Cada coração que eu peguei, me deu uma razão pra sorrir
Assim como fiz as que o meu coração entreguei

E tem gente que mede
Que por orgulho não cede
Nem remedia a quem o impede

Mas eu me faço fácil demais
Por isso posso afirmar que amei
Ah como amei
Amei a quem sofri por dois dias
Amei quem eu beijei por 6 meses
Amei quem vivi por três anos
E tanto amei quem eu ainda amo e tive tão brevemente

Mas não quero ver ninguém em meus braços
Que seja assim livremente
Que suas conquistas voem pelo mundo a fora
E se a mim retornar
Que apenas retorne sem assuntos pendentes

Como esses amores que larguei por essas estradas
E que por cada razão que sorri
Eu deixei que se fossem

Mas não deixo por nada

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Pouco importa

Como eu gostaria de saber todas as coisas
De desvendar todos os mistérios
E enlaçar-me pouco a pouco em tua boca
Ganhar mais palavras doces aos meus versos
E perder a seriedade como melhor fazemos dessa vida
Caminhar lentamente como dois embriagados
Ou como dois apaixonados, assim como dita a nossa condição ambígua

Como eu me aconchego no contorno do teu colo
Vivemos da ternura mais suave, das intenções mais adocicadas
Mas basta uma fagulha apenas, para tornar incêndio essas brasas

E tão difícil é mensurar essa realidade
Se nem nós conseguimos rotular qual a nossa verdade
Não sabemos como, nem por quanto tempo será
E pouco importa o que virá
Entre amizade, affair ou vaidade
Se o que nos envolve é mais peculiar
Que qualquer conversa vazia em mesas de bar
Que qualquer eco que soa nessa cidade
Pouco importa o nome
O Endereço
Ou o que irão falar
Se o que nos move é a cumplicidade


quarta-feira, 28 de maio de 2014

Misteriosa, inconstante e manipulável

Emitiu um som sofrido
Mas de tão distante não se ouviu a mensagem
Era quase imperceptível misturado aos ruídos dessa cidade
Sua voz reverbera pelos cantos, nos becos, nos montes e nas vielas
Muitos a julgam irrelevante
Outros a julgam pelo mesmo motivo que se escondem dela

Pode ser duvidosa, insensata, conservadora ou moderna
Cada um tem a sua, mas uma será absoluta quando propicia a hora for
Se juntam os ponteiros a subtrair o tempo
Acusados apostam que ela jamais se revela

Misteriosa, inconstante e as vezes manipulável
Feliz daquele que melhor a interpreta
Ou quem melhor a distorce de forma agradável

E se possível fosse abraçar uma causa perdida
Para que a mesma absolva sua realidade
Um lampejo de razão bastaria
Se existisse em todos menos divergência
Se cada individuo vivesse apenas sua própria existência
Se essa mãos se juntassem para abraça-la como ela é
Todos a veriam
Todos saberiam

A verdade...

terça-feira, 27 de maio de 2014

Covarde é quem desperta um amor que não sabe viver

Quando ouvi essa chuva cair
E essa brisa tocou como a frieza tua
Nada abrandou o meu peito
Desajeitado fiquei
Ridicularizei meu orgulho
Ao achar que era amor
O que a ti não passou de aventura

E pudera eu conseguir viver com essa falsa verdade a qual me impôs
Covardia tua amornar essa água pra que eu me banhasse
Pois como essa água que amorna é impura
Mais cruel foi o teu discurso
Mais desolador foi saber dessa tua mudança
E mais me entristece ver tua postura

E não te permito proferir mais nenhuma promessa
Não haverão mais planos que você possa estar
Traga de volta meu coração apenas
Se é que ele ainda é capaz de pulsar
Não deixe empoeirar em sua estante os sonhos alheios
E só volte a dizer meu nome de novo
Se um dia se ver capaz de amar...





domingo, 11 de maio de 2014

O sopro, a gota e o desarme

A paciência é algo que não me habita, não me cabe
Talvez eu pereça pela sua ausência
Essa insanidade que eu me permito viver pode ser o sopro
O ultimo suspiro para que meu mundo desabe
E meu peito desarme a gritar

Um grito afim de deixar ecoar pelo vento
Amores, dores, vivências
Lamentos

E a me conformar que meu manifesto é tristonho
Deixei me invadir essa angústia
Que esse vento possa trazer-me mais vida
Que essa vida venha a trazer mais um sonho

E em meio a esses versos que mancham esses guardanapos
Outro copo vem adentrar minha solidão
Pudera eu reverter esse quadro
Mas se só na tristeza me expresso
Desse ardor sou escravo

E assim eu me entrego a esse desconforto
Deixo as gotas salgadas percorrerem meu rosto
Meu manifesto de peito ferido está entregue ao mundo
Por hoje, só por hoje...






sábado, 10 de maio de 2014

A vida é tão breve...

A vida é tão breve não é?
Não breve a referir-se do quanto ela dura
Mas breve nas mudanças
Breve nos sentimentos
Apenas breve
E leve
Assim como levo a esperança

A vida é tão breve
Que faz-se a bagunça em um instante
E dessa bagunça dura mais a lembrança

E de tão breve que a vida é
Se admite qualquer dissonância
Pois o som é eterno em seu ecoamento
Mas por lamento mais breve ainda é a vingança
Que essa indispõe o vingado
Do momento frustrado até o seu julgamento

A vida é tão breve
Rasteira como a bruma do amanhecer
A vida é livre a quem se permitir ser

A vida é...
Breve

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Avivar o vivo, sufoco

Já fui pretensioso a ponto de achar que nada poderia dar errado
E confiante fui ao me doar por inteiro
Cansei dessas meias verdades estampadas em rostos vazios
Cansei dos "enfins" se tornando consolos desses devaneios

Projetei em mim
No futuro
Nela, por ela e talvez mais por mim uma certeza intragável
Vejo que por muito excedi
Transbordei em sufoco porque em demasia sentia um querer insaciável
Desejo intenso de tocar seu corpo, de sentir seu cheiro
De embarcar sem rumo nessa compulsão
E jamais me importei com seus "apesares"
Tão pouco em viver sua confusão

Mas como um artista sem cores
Eu não soube amar com prudência
E talvez de tanto avivar essas cores
Elas saturaram e se perderam em sua própria existência
E nos sabores que apeteciam apenas no olhar
Eu gastei em minha boca a pimenta e o sal
E na utopia que em ti eu criei
Ver você partir foi uma consequência
Mas sinto apenas a virgula, não um ponto final.



sexta-feira, 2 de maio de 2014

Tenha calma e voe com o vento!

Talvez eu não entenda os seus motivos
Talvez eu jamais entenda esse retardo que foi imposto ao amar
Eu sei que seria loucura agir de outra forma
Talvez essas histórias se cruzem por anos
Sem jamais se encontrar

Talvez esse destempero ao lidar com essa distância seja a ruína
Seja o gatilho para findar a esperança
Pode ser o tudo ou nada
Nocivo como Heroína
Pode ser que seja um momento efêmero
Como pode estar a manifestar-se aquela que me persegue
E se esse fato procede
Que provocação insana dessa maldita sina!

Me põe de frente a um romance incomparável
Traça linhas em minha folha em branco
Me torna um perdido apaixonado
E assassina as chances desse amor ser um pouco
Ao menos um tanto... mais palpável

Mas quem sabe dessa não me venha mais matures?
Um momento pra eu entender sobre meus próprios valores?
Talvez seja uma lição imprescindível a alguém que jamais quis viver meios amores
E quem sabe assim, somente assim a paciência me encontre
E a despeito da insensatez
Que eu deixe de tentar entender seus motivos e passe a viver o tempo
Pois o destino a mim diz:
Tenha calma e voe com o vento!







quarta-feira, 23 de abril de 2014

Que não se afogue as margens da seriedade

Como seria simples se eu pudesse dizer com todo o coração que sua ausência não me afeta
Fácil seria se por ti eu não houvesse despertado tanto desejo
Se nessas noites de Outono, em que o frio repousa em minha janela
Meus pensamentos não viajassem por caminhos tão distantes
Mais distantes de mim,  mas tão perto dela

Eu gostaria que nesse exato momento eu pudesse afirmar sua paixão
Ou que ao menos dela tivesse leve desconfiança
Pois no verde de seus olhos eu me embriago de amor
Mas me apavora a possibilidade de amargar na esperança

Sei que em cada palavra flertamos como fogo e Pavio
Que permitimos sentir como adolescentes
E nos envolvemos de forma indescritível
Nosso encontro foi um deslumbre incontido
Cinematográfico, Shakesperiano
E por que não dizer
Afrodisiaco?

Foi de uma intimidade, uma veracidade, uma cumplicidade
Que não vejo como poderia mudar sentimento igual esse
Me nego a crer que amor esse se afogue nas margens da seriedade

Aguardo ouvir sua voz
Te sinto com a mesma saudade
E que não seja vontade apenas
Que seja apenas verdade

 

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Como criamos toda essa loucura?

Já não existem palavras pra definir nossa relação
Elas mesmas temem não dar a importância devida
Talvez você tenha se tornado algo maior que o amor
Uma parte essencial pra que nesse amor existisse vida

A própria distância não entende esse laço
Ela mantêm o seu pé firme no chão
Mantêm o discurso de posse
Mas em nada reduz nossa condição

Nessa subliminalidade que envolve nossos gostos
Que entrelaçam nossos corpos
Que enebriam nossas mentes
Que aquecem nossos lábios
Que iluminam nossos rostos
Ainda vejo pouco
Comparado ao imenso que virá a ser
Mensurado ao tanto que havemos de viver
Ao quanto que eu sinto a falta
Ao tempo que eu espero você

E o que são essas palavras?
O que elas refletem afinal?
Se nos dicionários ainda não encontraram definição exata pra esse sentimento
Se até o momento nunca vi nada igual

Me responda! Como criamos toda essa loucura?
Se nem estrutura havia esse amor
E repentinamente, como um tufão
Ele nos arrebatou

terça-feira, 1 de abril de 2014

Amor é amor mesmo que dê tudo errado

Seria perfeito se cada pessoa entendesse que amor não se mensura
Não se  rotula dessa maneira trivial
Não pode-se dividir em níveis algo que é integral

Gostar, paixão, amor ou coisa banal?
Amor não é pra ser pensado,  amor não é pra ser racionalizado
Amor não se planeja
Amor é amor mesmo que de tudo errado

Amor é o ato de simplesmente viver
É olhar do alto de uma montanha, avistar um lago e saltar
Torcendo pra que acerte o alvo
Amar é apreciar a queda de olhos fechados
Porque o melhor de viver é sentir"

quarta-feira, 26 de março de 2014

Essa inspiração...

Seria fácil se você tivesse há alguns passos do meu olhar
Seria simples eu bater em sua porta em um fim de tarde por mero costume
Talvez meu coração não pulsasse alucinadamente se fosse simples assim
E eu não pensaria de segundo em segundo como seria bom te encontrar
Não escutaria canções de sabor adocicado
Talvez nem saberia mais escrever sobre amar

Mas essa luz que nos rodeia é tão bela
Que nos situa mesmo em face da distância em um espetáculo monumental
É como se estivéssemos no palco de um lindo teatro
Onde a luz que nos evidencia é pontual
E entre milhares de histórias de enredos tristonhos
Vivemos um romance que surge subitamente
E que o sentimento é o ator principal

domingo, 23 de março de 2014

Colcha de retalhos

Eu sei, se eu me permitir cairei de amores incontrolavelmente
Eu sei que esse amor é loucura
É demência do peito, que não deixa quieto nem corpo e nem mente
E essa chama que acende, em meio a essas brasas
Faz pensar no que tento dia a dia evitar
Naqueles momentos que ainda não vivi ao seu lado
Mas que me pego acordado a sonhar

Me esquivei, desviei de todas as formas desse encanto eminente
Mas basta uma simples mensagem eu olhar
Já me inspiro a cantar as canções mais bonitas de amor
Me derreto como um sonho de valsa
Como flocos de neve cedendo ao calor

Eu almejo intensamente que esse amor me arrebate
Mas devo ser coerente
Que me arrebate em face da reciprocidade

Pois amor nenhum merece ser vivido nos braços da solidão
E eu não mereço outra agulha fazendo buracos em meu coração
Por isso em cautela me pego a pisar
Pois se no caminho eu vir a tropeçar
Que ainda haja forças para me erguer
Mesmo que não haja mais força pra amar

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Terceira pessoa de amor nenhum

E a gente perde tempo, perde paciência e perde o sono
Fica largado, se sente frustrado em meio ao abandono
Espera amparo, espera estima como cão sem dono
E se perde em apego e culpa o peito pelo passo torto

Se desfaz da noite
Do copo e da luz da lua
Saldando o açoite que no véu vermelho de amor se camufla

E cede mais do que a mente permiti ser
Mas o coração pulsa, aperta e obriga a ceder
E assim se envolveu em uma causa perdida
Ganhou "uma dose de inferno"
Onde só buscava um gole de vida

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Onde deixei minhas malas?

Nesses anos que me eximi de viver
Deixei cair em contradição a alma de artista que defendi
Sem sentimento
O que cantarei pelas ruas?
Sem amor algum
O que mais me resta sentir?

Trancafiado nas grades da vida adulta
O espelho passou a refletir um eu que não me reflete em nada
Apenas resumi a minha a vida a um estado de dormência
No qual os sabores não me vem a boca
E retomo aquela velha insatisfação inata

Preferível seria se prontas estivessem minhas malas
E num súbito surto de coerência eu fugisse no mundo
Mas que nelas não levasse retratos, nem lembranças, e tão pouco papeis de carta
Que eu assumisse outro nome, quem sabe?!
E virasse outro "Silva" a modo de viver desapercebido
Que eu tivesse escolhas suficientes para jamais amargar nas madrugadas
Vivendo a angustia remanescente de ser o homem arrependido


terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Sem norte

Busco atalhos, atalhos de trilha mais breve
Me perdi do restante
Dormi no caminho, e segui sozinho até este instante

Diga-me!
Onde é o caminho mais curto para a contemplação?
Caminhei nesses dias sem rumo, de pé no chão
Sem bussola para me apontar o norte
Sem luz do sol a me apontar direção
E ainda não me recordo muito bem o que vim fazer tão distante
Somente sei: Fui  pego em flagrante pela desolação

E a despeito dos que seguiram avante
Digo que um dia avistarei luz do sol
E saberei caminhar ao leste no amanhecer
E levarei em meus pés cada pedra que pisei nesse chão

E quem sabe não mais busque conforto em folhas em branco
E das escolhas que fiz não mais me arrependa
E até me surpreenda quando não houver mais pranto




domingo, 12 de janeiro de 2014

O Homem Nenhum

Embriagar-me em solidão é o que me restou
Se nada mais me completa
Na frivolidade que se arrastou minha vida
O que mais mudaria
Se não o discurso da relativa alegria?

Busquei acalantar minhas magoas
Reviver meus anseios
A modo de que os receios me fossem subliminares
E não me impusessem mais nada
Apenas me impulsionassem

Mas vi que nesse eterno descontentamento vou perecer certamente
Não suporto essa pasmaceira que me envolvi
Que obrigatoriamente vivi
E vivo diariamente

Bem me sentia há uns anos atrás
Me sentia aventureiro pelas ruas dessa cidade
Boêmia era meu nome do meio
E meu nome primeiro era Liberdade

Era uma paixão a cada esquina
Amava intensamente
Por horas, por dias e ocasionalmente por meses

Mas nunca até então havia eu vivido sem sentimento algum
É triste para um homem a apatia
Se o amor era o que me preenchia os dias
Hoje sinto pena
Me sinto apenas o "homem nenhum"