sábado, 21 de novembro de 2015

Café

Agradeço café esse que deixa as madrugadas quentes
Que aquece um coração doente
Que me acompanha por tantas jornadas
Entre livros, telas e agendas
Me resta sua companhia
Uma doce amarga alegria
Enquanto a luz do abajur não se apaga

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Almodovar

Sou um poeta do vazio
Do vazio que vejo e do vazio que vivo
Do vazio que escorro sobre esses papeis
Digo ao complexo que se aparta sobre esses andantes
São farsas berrantes, padrões errantes
Resultados cruéis

O que é ser realista?
Desculpa ao pessimismo?
Perca as estribas
Enjaule em si a quem oprime o seu sorriso

Antes que acredite no seu livramento
Seja a polêmica de Almodovar
Que cria e persevera
Que faz a história acontecer antes a ser vassalo dela
Pois a vida é bela...
A quem é senhor dos seus atos
Quem sabe caminhar sobre as pedras
Somente de sonhos precisa
Não se necessita sapatos

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Viajante que vive

Nós temos tantas estradas
A perder de vista
São construções espetaculares
Que não se comparam aos olhares
Do viajante que as cobiça
São novas paragens a se deslumbrar
Aromas para se deleitar
Farpas para nos agredir
E dessas farpas, as feridas a cicatrizar
Uma vida para aprender
Um sorriso para aliviar
Histórias para se construir
E de orgulho nos despir
Amar, sentir, viver e acreditar

sábado, 22 de agosto de 2015

Que eles vivam e me deixem viver

Que eles apreciem a poesia
Pra que eu possa vive-la como de costume
E que eu não perceba os riscos que eu corro
Pra que eu viva emoções como se fosse imune
Mesmo que essa ilusão seja um passo ao abismo
Que valham a pena as palavras que eu lanço nos papeis que rabisco
E que esses versos entranhem em cada alma apaixonada, ou desfalecida
Ou embriagada ou que minimize qualquer dor
Pra que em cada peito eu leve conforto
E a cada palavra uma dose de vida

Em treinamento

Vesti o que esconderia os meus ferimentos
Porque a Fraqueza é traiçoeira
Mas ela não lê pensamentos
O mundo ouve as desculpas, mas não há desculpas para o tempo
Ou você se curva para o mundo
Ou traz à tona um pensamento:
Eu posso com todos os problemas
Sou forte como o vento
Repito como o Terra Preta
Sou Milionário em treinamento.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

A lei nunca chega neles

Um minuto de silencio
Um momento sereno
Feito criança que canta quando vê desenho
Nossas desculpas são fúteis, blefe
Mais valor no Nike, enquanto almas se perdem
Não julgo ou falo de ostentação ou criação
A classe C já compra leite, mas também compra ilusão
Tão forjando o flagrante perfeito
Industria do medo
O de 16 encarcerado
os de 40 se reelegendo Prefeito

Partes à parte, de mim

Um homem com muitos sonhos é escravo da sua satisfação
Eu sou um desses casos
Que vivem com os pés descalços
Que andam pelas calçadas tocando seu violão
Eu sou desses perdidos
Que ama trazer surpresa ao olhar de quem o vê
Eu sou o da poesia
Sou o da fotografia
Sou o que te traz folia
Registro as melodias em telas de LCD
E até me divido por partes
Mas não posso ser meio termo
Sou amante das artes
Alheio a realidades
Desafio verdades
Acredito em valores, não em preços

Quem é você?

Alma tua que atua
Que faz-se nua ao amanhecer
Que perpetua a ternura ao seu contentamento
E dissimula a postura
Como verdade que de tanto contada
Mentira deixou de ser
Quem é você?

segunda-feira, 8 de junho de 2015

As mães e as Janelas

As mães e as janelas
Aguardam o soprar do vento e se aconchegam
Descruzam os braços a ver no sol um movimento

Através das janelas se enxerga longe, tão distante
Sem se quer necessitar a presença pra compreender o contexto
Sabedoria sincera e sutil
Vezes um tanto hostil
Ao ser proferida por quem; do mundo; já conhece o bastante

E sabe-se que assim teimoso como sempre fui
Fecharia as portas
Quando não agradável as palavras dela
E mesmo ao aturar meu murmuro
Abriria a cortina e diria
Quando fechar as portas
Deixarei abertas as janelas

quarta-feira, 18 de março de 2015

Ainda assim se chamaria vida?

Eu me habituei a viver de regras simplórias
Sempre deixei que brisas sutis me conduzissem pelo mundo a fora
Do despertar até o anoitecer
Vivendo, deixando viver
o que viraram essas histórias
Hoje, em simples melodias eu me perco em lembranças
Em cada som busquei ouvir o que por trás havia
Livrei meu coração pra jamais haver correntes no que sentia
Assim como deixo soarem livres os sons dessas cordas
Na verdade, esses jogos da vida são engraçados
Nunca vencemos, nunca venceremos completamente
Nunca perdemos completamente
A contradição é insana
Mas que graça teria se fosse um jogo simples
De cartas marcadas
De estratégias montadas?
Se não fosse um mar de incerteza
Se em meio a alegrias não houvessem tristezas
Que graça teria?
Como eu saberia onde cheguei?
Como saberia a quem amei?
Como viveria?
Será que ainda assim isso se chamaria vida?

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Entre o estrelar e o Sol Nascente

Em alguns momentos que posso apreciar a quietude
Consigo distinguir os sons de cada ruido em meio a serenidade
Extasiado com a tranquilidade e o silencio
O silencio que nem cala nem consente
Não agrega, mas também não ilude

E me põe a pensar no tempo como uma ilusão
Nas madrugadas os prazos não vencem, 
o mundo não gira
O café não esfria
Nada estraga as madrugadas, a não ser o dia

E eu que nunca vi a paz de frente, indago:
Será que a paz não seria a madrugada quando se traveste?
Nesse espaço tão breve
Entre o estrelar e o sol nascente?
É nessas madrugadas em que eu devaneio
É nessa paz que mantenho minha mente

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Entre outras escalas

Eu vou sair dessa escala de cinza
Mudar de ar minha concepção
Vou dar novo sentido a minha vida
Mudar o vício pelo mesmo tom
Sentir a brisa acarinhar meu rosto
Sem levar mais nenhuma lágrima
Não quero ser escravo de desgostos
Nem do receio de ser senhor da minha vida
Quero sonhar e viver mais
Sem deixar ideais pra trás
Leve e só nas minhas conclusões
Sendo melhor que minhas ilusões
Talvez eu precise um pouco mais de tempo
De tempo pra me acostumar
A ser alguém um pouco menos denso
A ser alguém que eu possa confiar
Pois não quero me lamentar
Nem seguir com orgulho ferido

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Auto-Retrato nº 01

Olhando alguns anos atrás
Lembro, mas não mais com tristeza
De uma vida a qual pertenci
Vida em que compartilhávamos o pouco de comida que pairava sobre nossa mesa

Vida dura a qual eu talvez nem tenha sofrido tanto
Criança não vê classe, não vê ouro, tão pouco a abate qualquer  desencanto
Mas vivi o dilema de não saber em qual universo eu me encontrava
Nem entendia as razões que traziam minha mãe ao pranto

A me confundir mais ainda, viria questões mais simples,
mas que quando criança habitavam com frequência minha mente
Pois tinha muito do que queria, e achava injusto me considerar pobre
Mas mesmo assim, por que nossa realidade era infinitamente distante do que uma família classe média teria?
E o porquê nesses dois universos adversos, eu de certa forma vivia?

Talvez ao ver minha mãe tão distante em meio as suas rotinas
Em meio as suas duplas jornadas
Entre consultas, supletivo e faxinas
Tenha me afastado de forma quase que imperceptível
Já que em dias de "branco" meu irmão me cuidava
E vê-la em casa chegar era quase impossível

Talvez eu, mesmo criança, tenha criado o invólucro que a impedia de me entender realmente
De saber sobre meus interesses, e de todas as mirabolantes ideias que passavam em minha mente, de criança a adolescente.

Nossas crises nunca foram totalmente superadas
Eu já cobrei demais sua presença
Assim como errei incessantemente a te apontar falhas
E talvez nessa ausência, minha poesia viu espaços para que ficasse cada vez mais apurada
O que me fez sonhador
Sem carteira assinada
Mas que mesmo sem dizer, valorizo seus percalços
Suas andanças a pés descalços
É essencial, até nas falhas

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Não era pra ser com você

Não meu anjo
Nosso mundo não entrou em colapso
Talvez estivéssemos desapegados demais da realidade pra entender o fim
Ele era evidente para todos ao redor
Para o garçom do restaurante, para os familiares
Para os atendentes de bares, menos pra mim

Não foi tão difícil dizer adeus pra você em si
Mas para os planos sim
Não que seu olhar marejado não tivesse me comovido
E que suas perguntas retóricas não tivessem me confundido
Que por pouco meu coração por seus lábios vermelhos não tivesse sido envolvido
Só que meu amor por você já havia sido abafado
Porém meu medo da solidão por hora, não havia diminuído
E por todo tempo que entrelaçamos nossos dias
Acho que a solidão também era o que você temia

Nos encontramos em outros corpos
Em outras portas, em outras lembranças
Aprendemos a nos amar mais do que o amor por nossas falsas esperanças
E de repente nos vimos capazes de permitir novos amores ao nosso peito ferido
Nos permitindo o "encartar-se" por outros olhares
Participar de outros lares
E ter em outro amor... abrigo

Quem diria?
Voltamos a correr o risco
Colocar nosso coração de cristal na mão de um outro indivíduo
E ser feliz como eu planejava ser
Eu consegui
E o amor venceu
E agora, só agora eu vejo
Não era pra ser com você


segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Eles se amam, sem saber se amar

Ela busca respostas sem ao certo saber as perguntas 
Enquanto ele faz tantas perguntas sem ao menos se importar com as respostas.
Eles são fogo e pavio
Um começa o incêndio para o outro terminar

Me perguntei como orgulho poderia andar de mãos dadas com a insegurança?
E como a tirania pode corromper um lar?

Ele se faz de difícil
E ela de Santa,
Ela acha que ele a engana
e ele insiste em desconfiar
Dispensam os seus afetos assim como a timidez se dispensa falar

E se magoam sem perceber seus defeitos,
se ferem sem se quer sair do lugar
E até em meio a ternura se vê casca dura,
um pé atrás constante na hora de amar...

No meu pensamento

E eu só buscava um pouco de silêncio
Mas não na rua, não nos bares
Eu queria um pouco de paz em meus pensamentos
E ter tempo para desprender da realidade, sentir o soprar do vento

A vida após os 20 não para
Eu não parei, mas eu tento
Ao menos por um momento

Quem sabe um dia a mansidão me abrace
Não na rua, não nos bares
Mas no meu pensamento