segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Capricho teu

Acordei sem um pensamento se quer
Me dirigi a cozinha, tomei meu café
Como manda meu cotidiano simplório
Troquei os meus trapos e sai pela rua,
Sem rumo e sem culpa.

No ponto, ao longe, avistei o coletivo a se aproximar
Contei minhas moedas, eram 2,80, passei a roleta ainda sem nada a pensar.

Ao me acomodar na cadeira, virei à janela e profundamente respirei.
Um aroma singular me guiou ao pensamento,  inevitavelmente eu me transportei
Transportei a um passado distante, pouco, mas presente, um passado "distante quase recente"

E me veio em segundos
Quase instantaneamente
O frasco purpura em sua cabeceira,
Acompanhado de outro, rosa intenso.
Um perfume doce, delicado e marcante
De marca que me lembrou no instante teu beijo.

E a me estender as lembranças quase que passo o ponto
Passei o dia a reviver essa epopeia inteira
E nesse capricho do acaso
Ficou em mim guardado
O "Capricho" que tinha em sua cabeceira

sábado, 7 de dezembro de 2013

Que essa falta de amor não seja

Que noite é essa que nada se mostra, nada se tem
Que no escuro me mantem, entre filmes e canções
Nem deixa dormir e nem me cede a beleza das doces ilusões

Se fosse no “antes”
Quem sabe as nuances de uma bela guria
Trouxesse a minha mente o inexplicável
Um carinho inigualável
Que hoje a mim se faz somente em fantasia

E hoje eu sairia
A procura de qualquer lençol

Qualquer cama, qualquer beijo
Qualquer dama que por hora me saciasse o desejo

Desejo esse que me cerca
Mas em face da solidão, teme
Não me toma, não me afaga e se a mim não traz nada,
A mim também não mais serve

Não me cabe
E antes que o infortúnio seja a maior certeza
Deixo antes ao infortúnio que o mundo desabe

E que essa falta de amor
Não seja minha maior tristeza

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

O sonho que não se sonha mais

Em certas casas de espaço vasto
A vista, ficam vazios corações em peitos rasos
São mais que vasos de fino trato empoeirados
Corações em peitos rasos, são sentimentos apertados

Como levedo que leva ao copo um gosto destemperado
São jovens nessas fogueiras que se de bandeiam aos desprezados
Cartas escritas aos montes, sem selo e destinatário
Envólucros embalam sonhos, com fecho inviolável

São "sonhos que se sonha só"
Sonhos que se sonham e só
E na noite que não se sonha
Não se dorme, não se aquece e não se come
O dorso do que se afeta, se entrelaça em desconforto
O horizonte se desfaz no escurecer
E o sonho que se sonha
Não se sonha mais
Pois sonho se acaba sem o adormecer.









terça-feira, 26 de novembro de 2013

Vagabundo esse amor!

Eu me faço tão facilmente
Eu me iludo em um segundo
Sinto aromas de perfumes sem valor
Mas mais vagabundo é esse que me fantasia
Vagabundo esse amor!

Que transforma qualquer essência em lavanda
Que minha mente disfarça
E meu peito desanda
E na ilusão me afaga, sem ao menos um beijo
Maldito esse amor que me pega
Me invade e me amarga o desejo

Que como silício envenena minha alma
E como martírio
Põe em cheque minha calma
Que em verão se faz sauna
Nos invernos, Alasca
Pra que eu pereça no frio
Mas nem do teu corpo desfrute
Mas só teu sorriso me basta.

domingo, 10 de novembro de 2013

Ironia imensa essa vida

Que irônia imensa essa vida
Que contraria a sí própria
Que dela só se nota a existência
Quando a ausência se faz maior
Que irônia imensa se faz nessas cores
Que deixam de existir ao se unirem em uma só

Como o mar vive seu affair?
Como pode ser esse amor libertino?
A lua linda se mostra ao mar
E o Sol passa a ser o seu mero Voyeur

Mas que triangulo de platônico imenso
Onde não há encontros e nem recomeço
No qual o Sol se esconde e a Lua ilumina
E o mar posa em seu acalanto
Desinibido ao lado do sol
Entre pinturas e fotografias

Mas que irônia maior seria
Um poeta que vive de amor
Logo eu que canto os devaneios do peito
Não conseguir demonstrar meu carinho
Não conseguir declarar meus anseios

Mas porquê motivos a vida é uma verdade ardida?
Impondo a quem sente
O tabu
Que torna o humano tão frágil
Mas absolve os de sentimento nenhum
E outros tolos como eu
Deixam o amor pelas calçadas
Porque de amor sente muito
Mas de coragem, nada.





segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Contra-tempo, contra o tempo

Lembra quantos apuros passamos?
Aqueles dias caçando moedas pelos cantos da casa
Ouvia seus pais dizerem horrores
Em frases do tipo:
Ele não será nada.
Eram injúrias difamatórias
Profecias humilhantes e desprezíveis
E graças a mim, equivocadas.

A sorte até bateu a minha porta
Mas o que seria de mim se ao invés de lavar minha cara
E voltar para a guerra
Tivesse deixado meu peito entregue à derrota?

Sonhamos a partir de pedras? Sim
Vislumbramos distantes horizontes
Queriamos que exalasse lavanda em flores de carmim
Vivemos dos males o pior
E dessas pedras nós erguemos pontes.
Mas você
Não está mais aqui

E nós sabiamos que seria assim
Eu plantei, chorei, lutei...
Colhi

Você não sabe a falta que faz
O quanto seria bom te ligar e dizer
"Consegui"
Como eu queria te olhar nos olhos
E agradecer por simples existir

Como eu queria me entregar ao absurdo
E desfrutarmos da beleza que é o viver
Em prazeres ceder
Ao amar, deixar ser

Como eu queria ligar e dizer...


sábado, 19 de outubro de 2013

O homem que eu me tornei

Diga quantos poemas foram lidos esta noite?
Quantas palavras foram espalhadas inutilmente ao vento?
Por que estas canções me absorvem tanto
Se de mim só expressam minha alma
E a minha alma, o meu sentimento?

Aliaria, alinharia, averteria
Mudaria o rumo de tudo que pudesse no universo
E travestiria este mundo ao meu bel-contentamento
Situando-o na loucura
De forma similar ao viver
Viver este que me mantenho vivendo

Anuncio hoje a quem queira
Que das enfermidades que entranharam meu peito
Pouco me afetaram os desprazeres da vida
E quem sabe o Eu superado, de novos trejeitos
Faça da minha existência o bem que me incapacitei
Tornando verdade direita
O homem que  eu me tornei.


terça-feira, 17 de setembro de 2013

Me falta inspiração

Eu queria saber em que ponto eu me perdi do meu coração
Em que momento eu deixei de sentir
De sonhar
De me entregar
Em que estrada eu me deixei levar
Que fez anular cada uma paixão

Não há mais palavras pra compor meus textos
Não há melodia a minha canção
Me falta inspiração
Me falta razão
Me falta emoção
Um sorriso, um pranto
Um encanto que seja
Me falta a pureza de uma nova paixão

Eu desejei tanto que o afeto me tomasse
Que em alguma esquina encontrasse
E como antes, sem pensar, me envolvesse
Viajasse, me jogasse
Enlouquecesse
E em cada momento...
Enfim
Simplesmente vivesse

Eu não sei
Se eu que não encontrei mais amor
Ou se na cautela de me aproximar
Eu exagerei
Se no medo de me comprometer
Traumatizei
Se entre flertes e affairs
Alguém passou desapercebido
E em meio a tanta inconstância
Desiludi profundamente
Desprendi o peito da mente
A preferir as ausências
À me ver iludido.

Eu gostaria de saber: Até quando?
Eu gostaria sim de ser capaz
E um dia encontrar a quem merecer
E quem sabe assim poder ser
Com a pessoa certa
Mesmo que hoje eu não seja
A pessoa certa a quem merecer

sábado, 17 de agosto de 2013

Te entregaria se pudesse...

É um desperdício tão grande
Quando olhamos para os passos dados no chão
Sendo apagados pela poeira
Tomados pela sensação de estar sem raiz

Impedindo a nascente de seguir seu rumo
Represando em pedras
Amor sutil que nascia
E crescia na timidez
Mas ainda ao longe
Se via sem amparo
Sem manto e sem prumo.

É quase intolerável situar nossos olhares
Em caixas vazias
Em coleções frias de casos banais

Negar braços dados
Lábios colados
E noites
Poucas, mas incríveis noites
De abraço apertado
Carinhos trocados
A ti agarrado olhando pro mar

Ignoraria o tempo
Se ainda houvesse
Regressaria àqueles dias
Se pudesse
E mudaria meu discurso
Sugeriria dias e noites completos de amor
E que fosse sincero, sem medo
Em laço firme
Voltaria a te envolver em meus braços
Te entregaria estrelas se pudesse
Mas te entrego meu mundo








quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Um poeta deixa de ser poeta quando ouve a razão?

Eu sempre tive pouco controle sobre tudo
Era um amante a moda antiga 
Entregue aos amores mais profundos

Quando numa noite a beira mar
Eu me desiludi
E me deixei perder os amores que viriam

Me deixei pra não me ver em laços
Mas pergunto agora
Se prudente fui ao deixar escapar-me o meu ultimo abraço?
Se ao me amedrontar nessas escolhas
Não atirei pela janela minha redenção?
Será que me agarro em dilemas, pra escapar dos problemas?
Um poeta deixa de ser poeta quando ouve a razão?
Quem dera soubesse em um ultimo beijo
Qual destino certo ao meu coração

sábado, 27 de julho de 2013

Emoções Vazias

O amor é uma peça rara de um quebra-cabeça
Uma ilusão necessária
Uma fraqueza evidente
Um mal súbito que se forma de repente
e se instala

Se instala na alegria
Vive na fantasia
E acaba como se forma
Se mistura mas também se difere
Se condena, mas também se aprecia
Envaidece na mesma medida em que fere
Faz do canalha, beato
E da donzela, vadia

Busca conforto
Busca colo
E na carência
Busca só companhia

Nos verões casuais aventuras de amor
No inverno, apenas emoções vazias...

sábado, 20 de julho de 2013

Quem sabe encontrar

Existem frases que se perdem no tempo
Palavras que vagueiam pelas brisas mais leves
Se afastam, se renovam e se trancam
Se libertam
Talvez tardiamente

Fugindo do encontro inevitável com a razão
Vivendo a mercê da emoção
Em sensações que envolvem, comovem
E subitamente nos tomam
Através de uma entrega alucinada ao a caso
Consomem
E te faz invadir meu peito
Me faz apartar-me em teu seio

E ao me atirar na instabilidade
Vulnerável eu me permito ser
Aos extremos eu tolero viver
Na ilusão que me abraça eu me agarro a sonhar
E quem sabe encontrar...
Você

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Virgulas

As vezes sonho que ela me tem nos braços
Em momentos atribulados até esqueço que ela existe
E tento estender esses momentos pra que eu não veja o fracasso
Fracasso esse de amar a quem a mim só deixa triste

Ao propicio momento que eu me vi sem rumo
Poderia me atirar ao desespero
Fazer do pior meu consumo
Pra que me consumisse mais que a dor na alma
Mais que o aperto no peito
E ainda mais que o coração ferido
E amedrontasse tanto com a vida do que poderia o próprio medo

Quando a saudade é quase incontrolável
Desfaz-se em mim um grão de dignidade
O que hoje já é tanto
Mas incomparável
Ao quanto que me tirou

Mas sei eu que não foi por vontade
E sei que assim como errei
Você também me amou

Louca e perdidamente
De uma forma tão viva e tão incisiva
Que se tornou sufocante
E na invasão
Inventiva
E em meio a tanto amor jogado as traças
Tornou uma eterna causa perdida

Calamos um amor lindo e sem fronteiras
Que de tanto
Transbordou pelas calçadas
Nos cadernos, nas canecas, nas canetas
E de tantas virgulas não desfeitas
Se mantem sem saida
Um amor existente
Sem causa, sem razão
Sem vida.

domingo, 16 de junho de 2013

Sem alcançar

Estrelas que eu avistei, sem alcançar
E pasmei no brilho distante e perfeito
Incrível e imprevisível como a complexidade de amar

Tão platônico e louco foram tais sentimentos adversos
Dando as mãos pelas minhas costas
Em segredo

Estreitando os laços, acalmando os pulsos
Reduzindo a velocidade dos passos
Para esticar o tempo até onde pudessem enxergar

A aproveitar da minha nobreza
Da inocência que eu permitia me envolver
Um tiro certo no peito de quem nunca recusou um amor pra viver

Um acerto tão errado 
Tão desarranjado
Que de lindo e encantador
Passou a quase impossível de vivenciar

Difícil de enxergar uma fuga
E tão impossível quanto vivenciar seria a proeza de esquecer

E mais impossível continuar...

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Me despedi das calçadas

Permaneci ao relento
Entregue ao tormento 
Para que um dia eu me levantasse
E acreditei, sonhei, chorei
E lutei
Como lutei, 
Para que eu um dia me erguesse
E não mais errasse

E me centrei no universo
Me situei nas palavras
Ludibriei meus percalços
Me despedi das calçadas
E me mantive sozinho
No correr das rotinas
E passei ao orgulho
Do que melhor dele me tinha

Dificultei os caminhos
E tempo, perdi demais
Alguns dias foram vazios
E eu não fui o o bastante
Não por incompetência
Mas por não me sentir capaz

Provar o que sou, provaria
Tirar das estantes, tiraria
Mudar a constante, mudaria
Mas sem razão
Eu nada faria...

terça-feira, 7 de maio de 2013

Maio

Fui obrigado essa noite a pensar nos nossos sonhos
E perceber que chegamos aqui
Até esse ponto
E nada se realizou

Posso projetar em minha mente algumas imagens
Mas não há mais mensagens
Nem juras de amor

Tive que imaginar que tudo poderia ser
Que poderia ser diferente
Mas nunca hei de saber como se comportou

Maio é um mês cruel
E ele nunca há de deixar
Que nossas vidas andem num passo correto
Estando em rumos tão adversos
Em espaços tão distantes
Em caminhos tão incertos

Não consigo racionalizar tantas decisões
Talvez houvessem outras soluções
E te faltasse eu guiar um caminho

Mas eu me vi em um canto escuro
Acoado, solitário e amando demais
Em um momento de loucura 
Deixamos tudo para traz
E agora vivendo
Sub-existindo
Ainda estamos sozinhos

E mesmo tão distante
Te sinto em ao menos um 
Um instante
A cada dia
Não te vejo, nem te ouço
Pois nem nessas ruas você se apresenta
Mas seu perfume exala nos cantos da cidade
E eu vejo em cada esquina um pedaço seu
E conto na mesma padaria aos amigos
Das coisas que a gente viveu

E eu precisava dizer
Mesmo que você não leia nada disso
Mesmo que não rime mais nenhum verso
Que eu só queria saber de você
Que eu só queria te ter mais por perto
Que não chegasse dia 16.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Saída

As noites se prolongam nesses pensamentos
Quem imaginaria que viriam eles me atormentar?
Se desse período se passou tantas magoas
Se desse amor se passou tanto tempo

As mudanças se deram por simples acontecer
E no cair das folhas, no girar dos ponteiros
As vidas se deram formas inusitadas
Que de admiradoras, se viram admiradas
E de paixões arrebatadoras
Tais vidas se viram cansadas

Eu gostaria de entender a essência desse meu apego
Desmistificar essa questão confusa
Que dia a dia me vem a tona
E me assombra
E mesmo que numa sensação quase nula
Abusa

Mesmo que ela não saiba
Mas tornei expectador da vida alheia
Algumas vezes eu me torturo por opção
Para sentir que ainda existe vida
Vez outra luto contra as lembranças
Busco em outros amores
Saída...




segunda-feira, 22 de abril de 2013

Me deixei "te viver"

Parti de encontro a sensações irracionais
E deixei ao rumo o não saber e o tanto faz
Lancei ao vento perfumes de aromas diversos
Na busca de encontrar um cheiro que me fosse tão embriagante
Quanto o que me inspirou a escrever esses versos

Percebi que do absurdo sou escravo
Afinal, perdi as noções, razões e tudo o que não me permitisse
Me deixei "te viver" mesmo que não me pertencesse
E agora nada sei do que poderia ou não
Porque entreguei a você qualquer indicio ou sintoma de sanidade
Ao preferir me entregar à emoção

E quem do futuro irá dizer algo que o valha
Se já me vi despedaçado em prantos
A mercê do fio da navalha
E agora caindo de encantos
Solto pelos cantos
Quem poderá me dizer que só isso não basta

Alegria farta
Mesmo que seja breve
Que seja intensa
Que seja fogo, e não brasa
Que seja forte como ferro
Bonita como uma rosa
Delicada como um vidro
Como uma brisa inesperada

Boa enquanto for
E se for realmente
Quem sabe dessa alegria
Se estendam longas datas

E no futuro, nada sei
E o que importa o que farei?
Mas serei "Atento antes, e com tal zelo"
Mesmo que o sempre não manifeste
O "tanto" eu te darei...

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Do flerte ao afago

Me peguei na inconstância de um sonho
E ao inusitado me banhei
Como se não houvessem barreiras
E tento limitar minha mente para que ao menos dessa vez
Eu não ultrapasse todas
E pudera eu, nenhuma fronteira

Se no céu existe das cores à escuridão
Que o destino me guie para onde o azul é mais brando
Me leve de volta ao meu refúgio seguro
Para que nem dos espinhos me sangre os dedos
E nem os meus dedos enxuguem teu pranto

E se vê no tempo a contradição
Fantasia essa que me toma agora
Se tão impossível é por hora
Mas que por existência, não anula saída

E ao invadir o meu peito
Apavora
Sendo mais que receio
Investir sem cautela nessa incerta loucura
Que de mais incerta seria deixar
Que dela me invada também sua intensa doçura
Doçura que luto a não me entregar

Mas por que me afaga
Me excita, e me tira do trilho?
Se me encontro em deslumbre
Nesse flerte sutil
Onde basta um olhar para me extasiar
E de só me bastar
Disparei o gatilho
E deixei me acertar...





domingo, 7 de abril de 2013

Águas passadas não movem moinhos


Vejo as dores sumindo e aparecendo
Elas somem em você e ressurgem em mim
E são mais presentes do que você um dia foi
E mesmo assim me deixou tantas marcas incuráveis
Que nem me dou ao trabalho de contar
Mas mesmo assim eu sei o quanto me machucou
E sei que não conseguiu seguir pelo mesmo caminho
E não te julgo, mas também não respeito
Porque esse sonho seria mais belo se você estivesse aqui

Talvez eu seja uma cadeia de decepções não superadas e amores mal resolvidos
Talvez eu não tenha notado que águas passadas não movem moinhos
Mas talvez minha ferida seja tão grande que não me faz capaz de amar
E perco tanto tempo com isso que agora não sei para onde ir
E também não me sinto capaz de deixar você ir
Não em paz

quinta-feira, 14 de março de 2013

Poesia a ti poesia

Devo a ela infinitas palavras de amor
E nas canções criei a extensão da arte
E expressei nas linhas
Sentimentos diversos
Luxúria, paixão, ódio e rancor
E porque não o amor a terceiras
Que vieram a inspirar
Para que eu te usasse por inteira
Para que despejasse em ti
Cada gota de dor
E não fosse tão forte a sensação de impotência
Para que nos invernos eu sentisse calor

As palavras dançam em curvas sonoras
E as bocas recitam e até põem a prova
A tua eficácia na comoção eminente
Que faz interpretar da complexidade
Ao evidente
Essencial há anos
E diariamente

Eu sinto que devo a ti essas palavras de amor
Desde 98 aguentando os pesares
Mesmo antes de entender o que era sentir
Mesmo quando não sabia o que era ardor
E nem o perfume da flor


Em homenagem a Ela mesma
Poetizei...

Homenageio Poesia
O que na vida me iniciou
Pelo tanto que em mim modificou
E se não fosse na arte
De nada saberia
Doar de mim
Tão pouco faria
E só sofreria sem saber o porquê
Só lamentaria do amor não saber...

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Inerte e Sem coração

Hoje, somente hoje
Eu preciso me esquivar dessas cobranças
E reportar-me a minha mente os valores

Quem sabe um dia
Enxergue com cobiça a vida que me foi tirada
Assim como escalas de cinza desejariam as cores

Acaricia a minha pele a distância
E queira eu a alegria da prosperidade
Mas se na verdade
A ela mesma não alcança
Não me resta sentido a vê-la passar
E nem me resta amparo
Nem viver esperança

Se me dispõe seus discursos
Na utopia moderna
A qual dela
Nada se aplica
E desse rio do absurdo
Na corrente, um decurso
Da piracema iníqua dessa epopeia

E se nesse vergê nenhuma linha sai reta
Questiono agora ao meu coração
Somente a razão de redigir essas linhas?
Se da minha vida impugna os meu sonhos?
E o porquê não deslumbro desse imenso mundo?
Se dizem que a mesma, é breve e tão bela?

Quem sabe apatia tem rendido meu braços?
Meus prantos, de tantos
Tornaram-se escassos
Meus laços fajutos
Nos passos se foram
E foram nos lutos
Joelhos cansados

Avessa a essa condição
A vida doou me a arte
Em contraposição
Somente o que resta da insana maldade
Que é viver inerte
E sem coração...





quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Banaliza

Sai da sua zona de conforto
E ouve um pouco de realidade
Sem a merda do sensacionalismo que alimenta a midia
Essa arte subversiva de criar o caos
A partir dos cacos de quem despeja uma lagrima
Dessa hipocrisia deliberada nas telas
Que ao invés de valorizar
Banaliza

Por que se esquivar tanto da responsabilidade de existir?
A revolta exagerada é tão falsa quanto o luto na internet
Que não visa a condolência, nem a mudança
É mais uma busca insana
Por um clique de um botão "Curtir"

Se isso te satisfaz
Reconheça a insignificância arraigada em tudo isso
E fale de Santa Maria, Belo Monte e até de Catrina
Que ninguém lembra mais
Seja um estagiário na multinacional do cinismo
E se não souber o que dizer
Pense como o Malafaia diria

Eu não sou exemplo de nada
Não faço revolução, não sou anarquista, comunista
E nem entusiasta de nada
Só não queira persuadir minha mente
Com argumentação decorada
Nunca vi ativista sentado em cadeiras
E nem escondido entre portas fechadas




quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Deixar ser...

Abri a janela esta manhã
E me deparei surpreso
Com um louco sentimento
Sentimento aventureiro

Ainda fresca a lembrança de um sonho
De viagens em mares, pessoas, lugares
E um gesto meigo

A fusão do tempo, espaço e fantasia
Era a loucura a manifestar-se ao olhar de morfeu
Idealizei ao extremo cada segundo de insanidade
E na realidade pude ver a mágia

Bendita melatonina que me guiou ao sono
E satisfez meu desejo
Me rendeu num beijo
Ao menos em sonho

Logo me tomou de inteiro
E passei a deixar que ela visse
Que se o sonho me vem
É porque dela sei
E de mim o que sinto
Sei que é verdadeiro

E se posso acordar e me ver nesse sonho
O que ela propõe? Se não o viver
Por que não deixar
Esse fogo arraigado
Se alastrar como pasto
Por que não?
Deixar ser...




terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Muralhas e Ruinas

Sai a francesa dos nós de meu peito
Que o destino feito me seja sublime
Pois já fui largado
E já deixei de fato
Um ato descrente do amor findado
E que mera sina, permita a colhida
E desse amor simplesmente eu viva

E do que vivi
Meu relato darei ao mundo
Ao lado de outras adveio absurdos
Tantos infortúnios a despedaçar
E meramente observei
Sem nada poder fazer
E vi mais uma vez seu teto se desfazer
E meu castelo desabar

E nem permiti declarar o escondido
Nunca me declarei ao proibido
Desejo de amar a quem já teve amor
Mesmo que esse amor nunca fosse correspondido

E assim que o tempo a distanciou
Ela nunca teve a ciência desses meus anseios
E eu nunca controlei esses meus lampejos de amor

Mas sempre primei a quem mereceu
E a ela dei como amizade a forma mais bela
Antes a deixar viver primeiro
A que acabar a sombra de Nereu

Eu nunca te disse de fato
Todos os desenhos
Futuro esse que eu desenhei
Já sonhei, e afoito segui
Avistei sua face e  enfim me acalmei

De castelos e pontes erguidas
Muralhas, ruínas
De formas mais rudes me cerquei

Nadei por riachos 
e por água abaixo
Se foi meu sorriso
De incerteza essa 
Que eu propaguei

Não me mande embora
Me deixe lá fora
Ao menos eu choro num vão solitário

As gotas da chuva são frescas aqui
Te olho tranquilo através da janela
E que um dia essa bela me faça feliz


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Talvez eu não quisesse o rancor

Eu não queria  nada demais
Só queria um violão
Alguém para me inspirar
Uma rede a me encostar
E compor uma canção

Mas nunca me dei bem com a simplicidade
Sonhei mundos e vivi grãos
Deixei meus sonhos por meus amores
Anulei parcelas dos meus valores
Gastei status aos meus credores
Pra tais amores deixarem em vão

Mas nunca correspondi ao meu ego
Sempre me achei tanto
Mas tão pouco
Sei que não posso tudo
Mas me amo muito
Ou me amo pouco?
Ou será escudo?
Mas pra que tanto eu sonho?
Se o ego inflado nunca deixou de lado
A vontade de despejar o desprezo em cima de todo mundo

E pra que tanto rancor
Se foi dos que me difamaram
Talvez dos que não me vissem
Ou mais dos que duvidaram
Ou que apenas buscaram
Atrás das minhas lentes
E que minha carcaça pisaram
Por não conseguirem ser algo
Maior do que minha mente

Me traduza nas portas fechadas
Nos olhares lacrados
O que me aguarda?

Se posso amar quem odeia meu canto?
Se é isso que eu vivo e quando não vivo
Sou uma folha em branco

Talvez eu não quisesse o rancor
Talvez...
Só me faltasse um amor





terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Mundo esse de Dalilas

Se um dia encontrar o alguém
Que me faz sorrir sem limites
Inevitavelmente deixarei de acalentar outros sorrisos
Que vez presentes
Me fazem alegre, mas não feliz

E vez que se fazem ausentes
Causam dores permanentes
Marcam como espadas empunhadas a matar
E eu
Não me iludo facilmente
Não me iludo em belos dentes
Que se mostram sem sentir
Como feras acuadas e famintas
Maquinando a hora propicia de atacar

Pudera eu encontrar um ser sublime
Aquela a me tirar da solidão
Que fizesse do amor e da arte
Vinho e pão
Que deixasse meus percalços
E guiasse a pés descalços
Os meus sonhos de viver
Ver o mundo o meu quintal

E por amor imenso
Não me encantaria mais nenhum rosto
Seria simples olha-la e deseja-la por inteiro
As belas a passar seriam meros detalhes
Como paisagens que se vão com o tempo

E de tanto amor esse
Não haveriam deslizes
Não haveriam Dalilas, nem Yokos
Nem tampouco meretrizes

Seria um mundo vasto sem pasto
Um paraíso a beira do asfalto
Perdidos de encontro ao mundo
A esse que tende a nos afastar





domingo, 13 de janeiro de 2013

Sem rancor e sem escudo

Não levantei nenhum troféu para ostentar a conquista
E nunca obriguei ninguém a conviver ou aceitar as minhas inconstâncias
Nunca empurrei goela abaixo meu desregrado sentimento
Nem os suaves
Nem os profundos lamentos

Não acorrentei nem familia
Nem amores
A esse estranho estilo de vida
Da vida que em si
Se inverte valores

E eu lavo minha cara do orgulho
Como fosse do mais puro
Das mazelas, das feridas
Das Camilas
Das Marcelas
Das Prissilas
Para que entendam finalmente o porquê ergui minha voz
O porquê me sinto só
Porquê nunca deixei de afinar o meu canto
E nunca deixei de declarar o meu pranto

E nessa névoa intensa que se fez
Eu digo o quanto agradeço a vocês por me ensinarem a viver
Aprendi enquanto ganhei
E aprendi ainda mais quando entendi o perder
E sem saber das noitadas
Eu desejo que sejam amadas
Por um amor que eu nunca cedi o bastante
E dado o presente instante
Analisando essa constante
De certo nunca irei ceder

E para me banhar em sossego
Me desculpo de novo a vocês
Pelos mais imperdoáveis
E até os mais coerentes erros
Mesmo que a isso não exista o conforto

Agradeço de novo a chegada,
A ida a volta e a partida
Ganhei um coração gelado
Vencendo o romantismo iludido
E aparando no peito ferido
Um coração determinado

Só não tente me medir por sua régua
Sei que não sou maior que o mundo
Mas me recrio num segundo
Sem rancor e sem escudo
Mas sou bem maior que ela

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Sem Eira, nem Beira

Hoje me veio repentinamente
Alguns pensamentos, após de uma dose amiga
Me vieram os complexos inebriantes da vida
E passei a analisar pontos cardeais
Da história que hoje se fez passado
E no passado já se fez vivida

Pensei logo o quanto que eu queria crescer quando menino fui
E quando cresci, não consegui olhar ninguém de cima
Pois o mesmo a fazer essa narrativa
Se punha na rasteira,
Sem eira nem beira e sem rima

Desejava as moças mais bonitas
Os livros das prateleiras mais altas
E conforme crescia
O que me adoçava a boca eram os pecados
E deles eu conheci bem
Dos mais doces aos de mais puro amargo

E me deliciei na luxúria
Ahh como me esbaldei
E as mulheres que tanto quis
De tudo fiz
Pensei que morreria de dor
De tanto que já amei

Mas dor de amor passa
Deixa os rastros e a parede de concreto
E fica cada vez mais difícil a conquista
Para o próximo amor que chega
Conseguir provar que é realmente o certo

E quando chega
A força é tanta
Que alegria não só transborda
Felicidade até vaza
Entra pela porta, pula janela e já vira de casa
Faz bolo, faz festa e faz até serenata

Inspira a mão dos violeiros
Inspira de violinos a pandeiros
E até o cantores se animam a gorjear
Parece conspiração do universo
E depois de tanto sofrer
De escrever esses versos
Como posso dizer que não voltei a amar?

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Ano novo (2013)

Se foram os males e os bem feitos deste ano
Se renovam esperanças
Se fazem necessárias as transformações
Atitudes, novos planos
Serão necessários novos sonhos também
Pra que assim se façam as mudanças

E nesse retrato singular desse momento
Os fogos, as lembranças
Os amigos por perto
Eu construo as minhas metas mais mirabolantes
E torço para minha conduta permanecer intacta
Para que meus atos mantenham-se no andar coerente
E eu possa seguir o caminho certo

E diferente a essa noite
Além da minha mente vagar
Que meus braços também viajem sobre o corpo dela
E que cada momento seja unico
Sem necessidade de citar uma realidade eterna
Mas que assim como é pra mim
Seja tão bom pra ela

O saber é tão claro
O pé atras vai discreto a frente
E nesse passo quase ínfimo
Espero chegarmos juntos onde queremos
Seja no fim, no começo ou depois de 2013
Apenas sejamos felizes
Nas conquistas, nas batalhas
E ai então
Nos prazeres...