sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Entre outras escalas

Eu vou sair dessa escala de cinza
Mudar de ar minha concepção
Vou dar novo sentido a minha vida
Mudar o vício pelo mesmo tom
Sentir a brisa acarinhar meu rosto
Sem levar mais nenhuma lágrima
Não quero ser escravo de desgostos
Nem do receio de ser senhor da minha vida
Quero sonhar e viver mais
Sem deixar ideais pra trás
Leve e só nas minhas conclusões
Sendo melhor que minhas ilusões
Talvez eu precise um pouco mais de tempo
De tempo pra me acostumar
A ser alguém um pouco menos denso
A ser alguém que eu possa confiar
Pois não quero me lamentar
Nem seguir com orgulho ferido

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Auto-Retrato nº 01

Olhando alguns anos atrás
Lembro, mas não mais com tristeza
De uma vida a qual pertenci
Vida em que compartilhávamos o pouco de comida que pairava sobre nossa mesa

Vida dura a qual eu talvez nem tenha sofrido tanto
Criança não vê classe, não vê ouro, tão pouco a abate qualquer  desencanto
Mas vivi o dilema de não saber em qual universo eu me encontrava
Nem entendia as razões que traziam minha mãe ao pranto

A me confundir mais ainda, viria questões mais simples,
mas que quando criança habitavam com frequência minha mente
Pois tinha muito do que queria, e achava injusto me considerar pobre
Mas mesmo assim, por que nossa realidade era infinitamente distante do que uma família classe média teria?
E o porquê nesses dois universos adversos, eu de certa forma vivia?

Talvez ao ver minha mãe tão distante em meio as suas rotinas
Em meio as suas duplas jornadas
Entre consultas, supletivo e faxinas
Tenha me afastado de forma quase que imperceptível
Já que em dias de "branco" meu irmão me cuidava
E vê-la em casa chegar era quase impossível

Talvez eu, mesmo criança, tenha criado o invólucro que a impedia de me entender realmente
De saber sobre meus interesses, e de todas as mirabolantes ideias que passavam em minha mente, de criança a adolescente.

Nossas crises nunca foram totalmente superadas
Eu já cobrei demais sua presença
Assim como errei incessantemente a te apontar falhas
E talvez nessa ausência, minha poesia viu espaços para que ficasse cada vez mais apurada
O que me fez sonhador
Sem carteira assinada
Mas que mesmo sem dizer, valorizo seus percalços
Suas andanças a pés descalços
É essencial, até nas falhas

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Não era pra ser com você

Não meu anjo
Nosso mundo não entrou em colapso
Talvez estivéssemos desapegados demais da realidade pra entender o fim
Ele era evidente para todos ao redor
Para o garçom do restaurante, para os familiares
Para os atendentes de bares, menos pra mim

Não foi tão difícil dizer adeus pra você em si
Mas para os planos sim
Não que seu olhar marejado não tivesse me comovido
E que suas perguntas retóricas não tivessem me confundido
Que por pouco meu coração por seus lábios vermelhos não tivesse sido envolvido
Só que meu amor por você já havia sido abafado
Porém meu medo da solidão por hora, não havia diminuído
E por todo tempo que entrelaçamos nossos dias
Acho que a solidão também era o que você temia

Nos encontramos em outros corpos
Em outras portas, em outras lembranças
Aprendemos a nos amar mais do que o amor por nossas falsas esperanças
E de repente nos vimos capazes de permitir novos amores ao nosso peito ferido
Nos permitindo o "encartar-se" por outros olhares
Participar de outros lares
E ter em outro amor... abrigo

Quem diria?
Voltamos a correr o risco
Colocar nosso coração de cristal na mão de um outro indivíduo
E ser feliz como eu planejava ser
Eu consegui
E o amor venceu
E agora, só agora eu vejo
Não era pra ser com você


segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Eles se amam, sem saber se amar

Ela busca respostas sem ao certo saber as perguntas 
Enquanto ele faz tantas perguntas sem ao menos se importar com as respostas.
Eles são fogo e pavio
Um começa o incêndio para o outro terminar

Me perguntei como orgulho poderia andar de mãos dadas com a insegurança?
E como a tirania pode corromper um lar?

Ele se faz de difícil
E ela de Santa,
Ela acha que ele a engana
e ele insiste em desconfiar
Dispensam os seus afetos assim como a timidez se dispensa falar

E se magoam sem perceber seus defeitos,
se ferem sem se quer sair do lugar
E até em meio a ternura se vê casca dura,
um pé atrás constante na hora de amar...

No meu pensamento

E eu só buscava um pouco de silêncio
Mas não na rua, não nos bares
Eu queria um pouco de paz em meus pensamentos
E ter tempo para desprender da realidade, sentir o soprar do vento

A vida após os 20 não para
Eu não parei, mas eu tento
Ao menos por um momento

Quem sabe um dia a mansidão me abrace
Não na rua, não nos bares
Mas no meu pensamento