segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Capricho teu

Acordei sem um pensamento se quer
Me dirigi a cozinha, tomei meu café
Como manda meu cotidiano simplório
Troquei os meus trapos e sai pela rua,
Sem rumo e sem culpa.

No ponto, ao longe, avistei o coletivo a se aproximar
Contei minhas moedas, eram 2,80, passei a roleta ainda sem nada a pensar.

Ao me acomodar na cadeira, virei à janela e profundamente respirei.
Um aroma singular me guiou ao pensamento,  inevitavelmente eu me transportei
Transportei a um passado distante, pouco, mas presente, um passado "distante quase recente"

E me veio em segundos
Quase instantaneamente
O frasco purpura em sua cabeceira,
Acompanhado de outro, rosa intenso.
Um perfume doce, delicado e marcante
De marca que me lembrou no instante teu beijo.

E a me estender as lembranças quase que passo o ponto
Passei o dia a reviver essa epopeia inteira
E nesse capricho do acaso
Ficou em mim guardado
O "Capricho" que tinha em sua cabeceira

sábado, 7 de dezembro de 2013

Que essa falta de amor não seja

Que noite é essa que nada se mostra, nada se tem
Que no escuro me mantem, entre filmes e canções
Nem deixa dormir e nem me cede a beleza das doces ilusões

Se fosse no “antes”
Quem sabe as nuances de uma bela guria
Trouxesse a minha mente o inexplicável
Um carinho inigualável
Que hoje a mim se faz somente em fantasia

E hoje eu sairia
A procura de qualquer lençol

Qualquer cama, qualquer beijo
Qualquer dama que por hora me saciasse o desejo

Desejo esse que me cerca
Mas em face da solidão, teme
Não me toma, não me afaga e se a mim não traz nada,
A mim também não mais serve

Não me cabe
E antes que o infortúnio seja a maior certeza
Deixo antes ao infortúnio que o mundo desabe

E que essa falta de amor
Não seja minha maior tristeza

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

O sonho que não se sonha mais

Em certas casas de espaço vasto
A vista, ficam vazios corações em peitos rasos
São mais que vasos de fino trato empoeirados
Corações em peitos rasos, são sentimentos apertados

Como levedo que leva ao copo um gosto destemperado
São jovens nessas fogueiras que se de bandeiam aos desprezados
Cartas escritas aos montes, sem selo e destinatário
Envólucros embalam sonhos, com fecho inviolável

São "sonhos que se sonha só"
Sonhos que se sonham e só
E na noite que não se sonha
Não se dorme, não se aquece e não se come
O dorso do que se afeta, se entrelaça em desconforto
O horizonte se desfaz no escurecer
E o sonho que se sonha
Não se sonha mais
Pois sonho se acaba sem o adormecer.