terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Muralhas e Ruinas

Sai a francesa dos nós de meu peito
Que o destino feito me seja sublime
Pois já fui largado
E já deixei de fato
Um ato descrente do amor findado
E que mera sina, permita a colhida
E desse amor simplesmente eu viva

E do que vivi
Meu relato darei ao mundo
Ao lado de outras adveio absurdos
Tantos infortúnios a despedaçar
E meramente observei
Sem nada poder fazer
E vi mais uma vez seu teto se desfazer
E meu castelo desabar

E nem permiti declarar o escondido
Nunca me declarei ao proibido
Desejo de amar a quem já teve amor
Mesmo que esse amor nunca fosse correspondido

E assim que o tempo a distanciou
Ela nunca teve a ciência desses meus anseios
E eu nunca controlei esses meus lampejos de amor

Mas sempre primei a quem mereceu
E a ela dei como amizade a forma mais bela
Antes a deixar viver primeiro
A que acabar a sombra de Nereu

Eu nunca te disse de fato
Todos os desenhos
Futuro esse que eu desenhei
Já sonhei, e afoito segui
Avistei sua face e  enfim me acalmei

De castelos e pontes erguidas
Muralhas, ruínas
De formas mais rudes me cerquei

Nadei por riachos 
e por água abaixo
Se foi meu sorriso
De incerteza essa 
Que eu propaguei

Não me mande embora
Me deixe lá fora
Ao menos eu choro num vão solitário

As gotas da chuva são frescas aqui
Te olho tranquilo através da janela
E que um dia essa bela me faça feliz


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Talvez eu não quisesse o rancor

Eu não queria  nada demais
Só queria um violão
Alguém para me inspirar
Uma rede a me encostar
E compor uma canção

Mas nunca me dei bem com a simplicidade
Sonhei mundos e vivi grãos
Deixei meus sonhos por meus amores
Anulei parcelas dos meus valores
Gastei status aos meus credores
Pra tais amores deixarem em vão

Mas nunca correspondi ao meu ego
Sempre me achei tanto
Mas tão pouco
Sei que não posso tudo
Mas me amo muito
Ou me amo pouco?
Ou será escudo?
Mas pra que tanto eu sonho?
Se o ego inflado nunca deixou de lado
A vontade de despejar o desprezo em cima de todo mundo

E pra que tanto rancor
Se foi dos que me difamaram
Talvez dos que não me vissem
Ou mais dos que duvidaram
Ou que apenas buscaram
Atrás das minhas lentes
E que minha carcaça pisaram
Por não conseguirem ser algo
Maior do que minha mente

Me traduza nas portas fechadas
Nos olhares lacrados
O que me aguarda?

Se posso amar quem odeia meu canto?
Se é isso que eu vivo e quando não vivo
Sou uma folha em branco

Talvez eu não quisesse o rancor
Talvez...
Só me faltasse um amor





terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Mundo esse de Dalilas

Se um dia encontrar o alguém
Que me faz sorrir sem limites
Inevitavelmente deixarei de acalentar outros sorrisos
Que vez presentes
Me fazem alegre, mas não feliz

E vez que se fazem ausentes
Causam dores permanentes
Marcam como espadas empunhadas a matar
E eu
Não me iludo facilmente
Não me iludo em belos dentes
Que se mostram sem sentir
Como feras acuadas e famintas
Maquinando a hora propicia de atacar

Pudera eu encontrar um ser sublime
Aquela a me tirar da solidão
Que fizesse do amor e da arte
Vinho e pão
Que deixasse meus percalços
E guiasse a pés descalços
Os meus sonhos de viver
Ver o mundo o meu quintal

E por amor imenso
Não me encantaria mais nenhum rosto
Seria simples olha-la e deseja-la por inteiro
As belas a passar seriam meros detalhes
Como paisagens que se vão com o tempo

E de tanto amor esse
Não haveriam deslizes
Não haveriam Dalilas, nem Yokos
Nem tampouco meretrizes

Seria um mundo vasto sem pasto
Um paraíso a beira do asfalto
Perdidos de encontro ao mundo
A esse que tende a nos afastar





domingo, 13 de janeiro de 2013

Sem rancor e sem escudo

Não levantei nenhum troféu para ostentar a conquista
E nunca obriguei ninguém a conviver ou aceitar as minhas inconstâncias
Nunca empurrei goela abaixo meu desregrado sentimento
Nem os suaves
Nem os profundos lamentos

Não acorrentei nem familia
Nem amores
A esse estranho estilo de vida
Da vida que em si
Se inverte valores

E eu lavo minha cara do orgulho
Como fosse do mais puro
Das mazelas, das feridas
Das Camilas
Das Marcelas
Das Prissilas
Para que entendam finalmente o porquê ergui minha voz
O porquê me sinto só
Porquê nunca deixei de afinar o meu canto
E nunca deixei de declarar o meu pranto

E nessa névoa intensa que se fez
Eu digo o quanto agradeço a vocês por me ensinarem a viver
Aprendi enquanto ganhei
E aprendi ainda mais quando entendi o perder
E sem saber das noitadas
Eu desejo que sejam amadas
Por um amor que eu nunca cedi o bastante
E dado o presente instante
Analisando essa constante
De certo nunca irei ceder

E para me banhar em sossego
Me desculpo de novo a vocês
Pelos mais imperdoáveis
E até os mais coerentes erros
Mesmo que a isso não exista o conforto

Agradeço de novo a chegada,
A ida a volta e a partida
Ganhei um coração gelado
Vencendo o romantismo iludido
E aparando no peito ferido
Um coração determinado

Só não tente me medir por sua régua
Sei que não sou maior que o mundo
Mas me recrio num segundo
Sem rancor e sem escudo
Mas sou bem maior que ela

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Sem Eira, nem Beira

Hoje me veio repentinamente
Alguns pensamentos, após de uma dose amiga
Me vieram os complexos inebriantes da vida
E passei a analisar pontos cardeais
Da história que hoje se fez passado
E no passado já se fez vivida

Pensei logo o quanto que eu queria crescer quando menino fui
E quando cresci, não consegui olhar ninguém de cima
Pois o mesmo a fazer essa narrativa
Se punha na rasteira,
Sem eira nem beira e sem rima

Desejava as moças mais bonitas
Os livros das prateleiras mais altas
E conforme crescia
O que me adoçava a boca eram os pecados
E deles eu conheci bem
Dos mais doces aos de mais puro amargo

E me deliciei na luxúria
Ahh como me esbaldei
E as mulheres que tanto quis
De tudo fiz
Pensei que morreria de dor
De tanto que já amei

Mas dor de amor passa
Deixa os rastros e a parede de concreto
E fica cada vez mais difícil a conquista
Para o próximo amor que chega
Conseguir provar que é realmente o certo

E quando chega
A força é tanta
Que alegria não só transborda
Felicidade até vaza
Entra pela porta, pula janela e já vira de casa
Faz bolo, faz festa e faz até serenata

Inspira a mão dos violeiros
Inspira de violinos a pandeiros
E até o cantores se animam a gorjear
Parece conspiração do universo
E depois de tanto sofrer
De escrever esses versos
Como posso dizer que não voltei a amar?

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Ano novo (2013)

Se foram os males e os bem feitos deste ano
Se renovam esperanças
Se fazem necessárias as transformações
Atitudes, novos planos
Serão necessários novos sonhos também
Pra que assim se façam as mudanças

E nesse retrato singular desse momento
Os fogos, as lembranças
Os amigos por perto
Eu construo as minhas metas mais mirabolantes
E torço para minha conduta permanecer intacta
Para que meus atos mantenham-se no andar coerente
E eu possa seguir o caminho certo

E diferente a essa noite
Além da minha mente vagar
Que meus braços também viajem sobre o corpo dela
E que cada momento seja unico
Sem necessidade de citar uma realidade eterna
Mas que assim como é pra mim
Seja tão bom pra ela

O saber é tão claro
O pé atras vai discreto a frente
E nesse passo quase ínfimo
Espero chegarmos juntos onde queremos
Seja no fim, no começo ou depois de 2013
Apenas sejamos felizes
Nas conquistas, nas batalhas
E ai então
Nos prazeres...