segunda-feira, 22 de abril de 2013

Me deixei "te viver"

Parti de encontro a sensações irracionais
E deixei ao rumo o não saber e o tanto faz
Lancei ao vento perfumes de aromas diversos
Na busca de encontrar um cheiro que me fosse tão embriagante
Quanto o que me inspirou a escrever esses versos

Percebi que do absurdo sou escravo
Afinal, perdi as noções, razões e tudo o que não me permitisse
Me deixei "te viver" mesmo que não me pertencesse
E agora nada sei do que poderia ou não
Porque entreguei a você qualquer indicio ou sintoma de sanidade
Ao preferir me entregar à emoção

E quem do futuro irá dizer algo que o valha
Se já me vi despedaçado em prantos
A mercê do fio da navalha
E agora caindo de encantos
Solto pelos cantos
Quem poderá me dizer que só isso não basta

Alegria farta
Mesmo que seja breve
Que seja intensa
Que seja fogo, e não brasa
Que seja forte como ferro
Bonita como uma rosa
Delicada como um vidro
Como uma brisa inesperada

Boa enquanto for
E se for realmente
Quem sabe dessa alegria
Se estendam longas datas

E no futuro, nada sei
E o que importa o que farei?
Mas serei "Atento antes, e com tal zelo"
Mesmo que o sempre não manifeste
O "tanto" eu te darei...

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Do flerte ao afago

Me peguei na inconstância de um sonho
E ao inusitado me banhei
Como se não houvessem barreiras
E tento limitar minha mente para que ao menos dessa vez
Eu não ultrapasse todas
E pudera eu, nenhuma fronteira

Se no céu existe das cores à escuridão
Que o destino me guie para onde o azul é mais brando
Me leve de volta ao meu refúgio seguro
Para que nem dos espinhos me sangre os dedos
E nem os meus dedos enxuguem teu pranto

E se vê no tempo a contradição
Fantasia essa que me toma agora
Se tão impossível é por hora
Mas que por existência, não anula saída

E ao invadir o meu peito
Apavora
Sendo mais que receio
Investir sem cautela nessa incerta loucura
Que de mais incerta seria deixar
Que dela me invada também sua intensa doçura
Doçura que luto a não me entregar

Mas por que me afaga
Me excita, e me tira do trilho?
Se me encontro em deslumbre
Nesse flerte sutil
Onde basta um olhar para me extasiar
E de só me bastar
Disparei o gatilho
E deixei me acertar...





domingo, 7 de abril de 2013

Águas passadas não movem moinhos


Vejo as dores sumindo e aparecendo
Elas somem em você e ressurgem em mim
E são mais presentes do que você um dia foi
E mesmo assim me deixou tantas marcas incuráveis
Que nem me dou ao trabalho de contar
Mas mesmo assim eu sei o quanto me machucou
E sei que não conseguiu seguir pelo mesmo caminho
E não te julgo, mas também não respeito
Porque esse sonho seria mais belo se você estivesse aqui

Talvez eu seja uma cadeia de decepções não superadas e amores mal resolvidos
Talvez eu não tenha notado que águas passadas não movem moinhos
Mas talvez minha ferida seja tão grande que não me faz capaz de amar
E perco tanto tempo com isso que agora não sei para onde ir
E também não me sinto capaz de deixar você ir
Não em paz