segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Contra-tempo, contra o tempo

Lembra quantos apuros passamos?
Aqueles dias caçando moedas pelos cantos da casa
Ouvia seus pais dizerem horrores
Em frases do tipo:
Ele não será nada.
Eram injúrias difamatórias
Profecias humilhantes e desprezíveis
E graças a mim, equivocadas.

A sorte até bateu a minha porta
Mas o que seria de mim se ao invés de lavar minha cara
E voltar para a guerra
Tivesse deixado meu peito entregue à derrota?

Sonhamos a partir de pedras? Sim
Vislumbramos distantes horizontes
Queriamos que exalasse lavanda em flores de carmim
Vivemos dos males o pior
E dessas pedras nós erguemos pontes.
Mas você
Não está mais aqui

E nós sabiamos que seria assim
Eu plantei, chorei, lutei...
Colhi

Você não sabe a falta que faz
O quanto seria bom te ligar e dizer
"Consegui"
Como eu queria te olhar nos olhos
E agradecer por simples existir

Como eu queria me entregar ao absurdo
E desfrutarmos da beleza que é o viver
Em prazeres ceder
Ao amar, deixar ser

Como eu queria ligar e dizer...


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