domingo, 12 de janeiro de 2014

O Homem Nenhum

Embriagar-me em solidão é o que me restou
Se nada mais me completa
Na frivolidade que se arrastou minha vida
O que mais mudaria
Se não o discurso da relativa alegria?

Busquei acalantar minhas magoas
Reviver meus anseios
A modo de que os receios me fossem subliminares
E não me impusessem mais nada
Apenas me impulsionassem

Mas vi que nesse eterno descontentamento vou perecer certamente
Não suporto essa pasmaceira que me envolvi
Que obrigatoriamente vivi
E vivo diariamente

Bem me sentia há uns anos atrás
Me sentia aventureiro pelas ruas dessa cidade
Boêmia era meu nome do meio
E meu nome primeiro era Liberdade

Era uma paixão a cada esquina
Amava intensamente
Por horas, por dias e ocasionalmente por meses

Mas nunca até então havia eu vivido sem sentimento algum
É triste para um homem a apatia
Se o amor era o que me preenchia os dias
Hoje sinto pena
Me sinto apenas o "homem nenhum"




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