Hoje, somente hoje
Eu preciso me esquivar dessas cobranças
E reportar-me a minha mente os valores
Quem sabe um dia
Enxergue com cobiça a vida que me foi tirada
Assim como escalas de cinza desejariam as cores
Acaricia a minha pele a distância
E queira eu a alegria da prosperidade
Mas se na verdade
A ela mesma não alcança
Não me resta sentido a vê-la passar
E nem me resta amparo
Nem viver esperança
Se me dispõe seus discursos
Na utopia moderna
A qual dela
Nada se aplica
E desse rio do absurdo
Na corrente, um decurso
Da piracema iníqua dessa epopeia
E se nesse vergê nenhuma linha sai reta
Questiono agora ao meu coração
Somente a razão de redigir essas linhas?
Se da minha vida impugna os meu sonhos?
E o porquê não deslumbro desse imenso mundo?
Se dizem que a mesma, é breve e tão bela?
Quem sabe apatia tem rendido meu braços?
Meus prantos, de tantos
Tornaram-se escassos
Meus laços fajutos
Nos passos se foram
E foram nos lutos
Joelhos cansados
Avessa a essa condição
A vida doou me a arte
Em contraposição
Somente o que resta da insana maldade
Que é viver inerte
E sem coração...
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