terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Mundo esse de Dalilas

Se um dia encontrar o alguém
Que me faz sorrir sem limites
Inevitavelmente deixarei de acalentar outros sorrisos
Que vez presentes
Me fazem alegre, mas não feliz

E vez que se fazem ausentes
Causam dores permanentes
Marcam como espadas empunhadas a matar
E eu
Não me iludo facilmente
Não me iludo em belos dentes
Que se mostram sem sentir
Como feras acuadas e famintas
Maquinando a hora propicia de atacar

Pudera eu encontrar um ser sublime
Aquela a me tirar da solidão
Que fizesse do amor e da arte
Vinho e pão
Que deixasse meus percalços
E guiasse a pés descalços
Os meus sonhos de viver
Ver o mundo o meu quintal

E por amor imenso
Não me encantaria mais nenhum rosto
Seria simples olha-la e deseja-la por inteiro
As belas a passar seriam meros detalhes
Como paisagens que se vão com o tempo

E de tanto amor esse
Não haveriam deslizes
Não haveriam Dalilas, nem Yokos
Nem tampouco meretrizes

Seria um mundo vasto sem pasto
Um paraíso a beira do asfalto
Perdidos de encontro ao mundo
A esse que tende a nos afastar





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